23 Nov, 2017

André Dias Pereira, Author at Fair Play

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André Dias PereiraNovembro 20, 20173min0

Não nos equivoquemos, Rafael Nadal foi o rei de 2017. A prová-lo estão os seis títulos alcançados desde Janeiro – entre eles Roland Garros e US Open – e a liderança mundial. Mas foi o búlgaro Grigor Dimitrov a vencer o torneio dos Mestres, que terminou este domingo, numa final improvável contra David Goffin.

O ATP Finals de 2017, sabia-se, ia ser jogado por figuras secundárias face aos últimos anos. Com Djokovic, Murray e Wawrinka a recuperarem de lesões, Nadal e Federer surgiam como os nomes maiores. Só que logo no primeiro jogo (e derrota) contra David Goffin – 7-6 (5), 6-7 (4) e 6-4 – Rafael Nadal ressentiu-se de dores no joelho e desistiu da competição. Para o seu lugar entrou o também espanhol Pablo Cerreño Busta, número 10 mundial e vencedor do torneio do Estoril este ano.

As portas pareciam abertas para Roger Federer, vencedor do Australian Open e Wimbledon, para além de outros cinco torneios. O suíço começou bem a prova, vencendo os três jogos da fase de grupos: Jack Sock (6-4 e 7-6), Marin Cilic (6-7, 6-4 e 6-1) e Alexander Zverev (7-6, 5-7 e 6-1). Só que nas meias-finais, perdeu para o David Goffin (6-2, 3-6 e 4-6). Foi, provavelmente, a vitória mais importante da carreira do belga, número oito mundial. Goffin tornou-se o terceiro tenista a derrotar Nadal e Federer na mesma prova. Esta foi, aliás, uma semana de sonho para o belga. A sua história na competição resumia-se a um jogo contra Novak Djokovic, como suplente, em 2016. De resto, em seis encontros contra o suíço, o melhor que conseguira tinha sido vencer…dois sets.

Dimitrov será nº3 do mundo

Na final, contudo, acabou por ser surpreendido por Grigor Dimitrov. O búlgaro, que também se estreou na final, precisou de três sets (7-5, 4-6 e 6-3) para se tornar o mestre dos mestres de 2017. Dimitrov vai agora subir ao terceiro lugar da hierarquia mundial. Tornou-se também no primeiro estreante a vencer a competição, desde o espanhol Alex Corrtetja, em 1998.

Para chegar à final, Dimitrov precisou também de vencer Goffin na fase de grupos (6-0 e 6-2), para além de Cerraño Busta (6-1 e 6-1) e Dominic Thiem (6-3, 5-7 e 7-5). Nas meias-finais, levou a melhor sobre o norte-americano Jack Sock (4-6, 6-0 e 6-3), carimbando assim a sua primeira final da prova.

O triunfo no ATP Finals foi o culminar do melhor ano desportivo de Dimitrov. Ele venceu também em Cincinnati e alcançou as meias-finais do Open de Austrália. Aos 26 anos, o búlgaro parece estar a descolar da imagem de playboy e eterna promessa do ténis mundial. Para já acaba o ano como número 3 mundial. Poderá chegar a número 1 em 2018, ou vencer algum Grand Slam?

A vitória de Grigor Dimitrov no ATP Finals

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André Dias PereiraNovembro 5, 20173min0

O ano de 2017 está a ser um ano de sombras e luz para Jo-Wilfred Tsonga. O tenista francês, número 15 do ranking ATP, tem tido participações discretas nos principais torneios do circuito, contudo, acumula já quatro títulos (Roterdão, Marselha, Lyon e Antuérpia) nesta temporada, o que corresponde ao melhor registo desde que começou a carreira profissional.

No passado dia 22, em Antuérpia, Jo-Wilfred Tsonga venceu o seu terceiro torneio ATP-250. O francês levou a melhor sobre o argentino Diego Schwartzman (6-3 e 7-5). Esta não foi uma vitória qualquer. Tsonga conseguiu pela primeira vez na carreira vencer quatro torneios em um ano. O melhor que conseguira anteriormente foi em 2009, ao ganhar em Toquio, Marselha e Joanesburgo. Ao todo, já disputou 27 finais, vencendo 16.

Antigo número 5 mundial, Tsonga ocupa, aos 32 anos de idade, o 15º lugar do ranking mundial. O ano até nem começou mal, com triunfos em Roterdão, Marselha e Lyon no primeiro semestre de 2017. Na Holanda o francês venceu o belga David Goffin (4-6, 6-4 e 6-1), colocando um ponto final no jejum de títulos que durava desde Metz, em 2015. Mas teve que atravessar o caminho das pedras, deixando para trás os favoritos Marin Cilic e Thomas Berdych. Em Marselha, sete dias depois, voltou a mostrar o bom momento, ganhando a final diante o compatriota Lucas Pouille, por duplo 6-4. Foi o seu terceiro triunfo em Marselha, o que representa um recorde na prova.

A sombra de Tsonga

O ano corria favorável a Tsonga (regresso ao top-10 mundial) mas lesões e o nascimento do seu primeiro filho mantiveram o francês fora de alguns torneios. Depois, a derrota perante Fabio Fognini, em Indian Wells, a desistência do Masters de Miami, a derrota na primeira ronda de Monte Carlo perante Adrian Mannarino, bem como as desistências nos torneios de Madrid e Roma foram fortes revés para o gaulês.

A retoma voltou em Lyon. Tsonga venceu Thomas Berdych (7-6 (7-2) e 7-5), naquela que foi a sua quinta vitória sobre o checo.

Apesar das vitórias, nos Grand Slam o francês não conseguiu o mesmo brilhantismo. Na Austrália, caiu nos quartos de final diante o favorito Stan Wawrinka. Pior, em Roland Garros foi surpreendido na segunda ronda pela argentino Renzo Olivo Em Wimbledon, Sam Querrey levou a melhor sobre o francês nos 16 avos de final. E no US Open, também foi afastado na segunda ronda pela estrela em ascensão Denis Shapovalov.

Num ano de altos e baixos para Tsonga, 2017 certamente terá um sabor agri-doce. Os quatro títulos conquistados não foram suficientes para garantir uma posição de disputar o ATP Finals. Com a eliminação, esta semana, em Paris, a corrida a Londres ficou completamente afastada.

A vitória de Jo-Wilfred Tsonga em Antuérpia:

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André Dias PereiraOutubro 13, 20173min0

Sim, foi Rafael Nadal que venceu o torneio de Pequim. Foi a primeira vez que o espanhol o fez desde 2005. Sim, foi o sexto título de El Toro Miura em 2017. Mas este texto não é sobre o número 1 do mundo. É sobre Alexandr Zverev, o outro herói de Pequim, que garantiu o bilhete no Masters Final. Para Zverev, o futuro é agora.

Dizem que dos fracos e derrotados não reza a história. Alexander Zverev está aí para provar o contrário. Ok, o nome maior do torneio de Pequim, que terminou no passado domingo, foi Rafael Nadal. Outra vez Nadal. Pela segunda vez na China, pela sexta vez esta temporada. Também não foi o segundo classificado. Esse foi Nick Kyrgios, o australiano errante que é capaz de vencer a qualquer um – perdeu pela primeira vez contra Nadal (3-2), está empatado em jogos com Federer (2-2) e lidera diante Djokovic (2-0) – mas também perder com qualquer um.

Este texto é sobre Alexander Zverev, o miúdo que aos 20 anos já se fez graúdo e que em 2017 é, a par de Rafael Nadal e Roger Federer, o jogador que mais troféus venceu: Montpellier, Munique, Roma, Washington e Canadá.

O alemão era um dos destaques do torneio de Pequim, que terminou com a vitória de Rafael Nadal sobre Nick Kyrgios – 6-2 e 6-1, naquele que foi o 75º título da carreira do espanhol – mas acabou por cair nas meias-finais perante o australiano (6-3 e 7-5). Contudo, o alemão conseguiu o seu principal objetivo e carimbou o passaporte para o Masters Final, onde já estão Rafael Nadal e Roger Federer.

A temporada de 2017 está a ser mais do que um sonho para Zverev. É a concretização de uma profecia, sobretudo de quem o acompanha desde cedo. O desporto e o ténis estão-lhe no ADN. Filho de uma família de tenistas, o seu pai foi profissional na Rússia e é o seu treinador, e a sua mãe, treinadora. O irmão, Mischa Zverev, é 27º do ranking mundial. Fluente em russo, alemão e inglês, Alexander praticou três desportos em criança, mas optou por se dedicar mais ao ténis. O seu talento precoce levou-o a número 1 do mundo em juniores, vencendo um torneio Future e o Australian Open.

A sua maturidade, segurança e confiança levaram-no a ascender ao profissionalismo, em 2014, onde tem registado uma ascensão meteórica. Nesse ano tornou-se o mais jovem tenista (17 anos) desde Marin Cilic a atingir as meias-finais do torneio de Hamburgo. Agora, com 20 anos, e cinco torneios ATP arrecadados só em 2017  – para além de ter ganho em S.Peterburgo, em 2016 – alcançou o terceiro lugar do ranking mundial, sendo apenas superado pelas lendas Rafael Nadal e Roger Federer.

Rendidos ao talento

O espanhol e número 1 do mundo não tem dúvidas. “É um jogador fantástico, tem todos os golpes. Tudo para ser uma grande estrela do circuito”. Um dos seus trunfos é a capacidade fazer “ases”. Só para se ter uma ideia, em 2016 Sacha, como é conhecido entre os seus fãs, fez 355, contra 349 de Jo-Wilfred Tsonga e 239 de Novak Djokovic.

Colegas, treinadores, analistas e fãs do ténis não têm dúvidas que Alexander Zverev é o rosto da nova geração, com capacidade de atingir a liderança do ranking mundial. E bem se pode dizer que aos 20 anos e como número 3 mundial, o futuro é agora. Mas agora é ainda o tempo dos intemporais Roger Federer e Rafael Nadal. A questão que sobra é, até quando?

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André Dias PereiraSetembro 18, 20173min0

Aconteça o que acontecer até ao final do ano, Rafa Nadal é a grande figura do ténis e uma das maiores do desporto em 2017. Num US Open com muitas baixas e percalços de percurso, a superestrela espanhola continuou a brilhar mais alto.

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André Dias PereiraAgosto 20, 20173min0

Rafael Nadal voltará a ser, esta segunda-feira, número um do mundo, três anos depois de ter perdido a coroa de rei do ténis mundial. A desistência de Roger Federer do torneio de Cincinnati, por motivo de lesão, deixou o espanhol sozinho na luta pelo trono do ténis, a poucos dias do arranque do US Open.

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André Dias PereiraJulho 17, 20174min0

Roger Federer, outra vez. Oito vezes Federer. O helvético tornou-se, este domingo, o maior campeão de Wimbledon, ao vencer o Torneio dos Cavalheiros pela oitava vez. A lenda suíça soma agora o recorde de 19 títulos de Grand Slam.

Em 2001, Pete Sampras, 35 anos de idade e sete vezes campeão de Wimbledon, preparava-se para apadrinhar a estreia de um jovem, então de 19 anos e de rabo de cavalo, que surgia nos courts do All England Club pela primeira vez. Esse jogo viria a tornar-se histórico não apenas porque seria o único que colocou frente a frente Pete Sampras e Roger Federer, mas porque marcou a passagem de testemunho no ténis. Hoje é o suíço a ter 35 anos e, este domingo, tornou-se o maior campeão da história de Wimbledon (destronando o norte americano) ao conquistar o oitavo título em partida frente ao croata Marin Cilic (6-3, 6-1 e 6-4).

Roger Federer amplia para 19 o recorde de Grand Slam e mostra que aos 35 anos continua no auge e para durar, “até que a Mirka (mulher do suíço) diga que está cansada de viajar“. Depois de vencer o Australian Open, Federer tornou-se ainda o segundo jogador na lendária história de Wimbledon a vencer o torneio sem perder qualquer set, repetindo o feito de Bjorn Borg, em 1976.

A queda de Nadal, Murray, Djokovic e Stan

Num torneio em que Nadal foi eliminado precocemente (oitavos-de-final) em uma partida épica de quase cinco horas perante Giles Muller (6/3, 6/4, 3/6, 4/6 e 13/13) – que chegou pela primeira vez aos quartos de final, Andy Murray também não passou das meias-finais. O tricampeão britânico foi surpreendido por Sam Querrey (3/6, 6/4, 6/7 (4-7), 6/1 e 6/1). Murrray não vive o melhor momento de forma e até foi aconselhado pelo irmão a fazer uma pausa na carreira.

Na actualização do ranking ATP segue líder, ainda que os 7750 pontos sejam os mais baixos para um comandante desde 2009. Quem ainda poderia alcançar a liderança seria Novak Djokovic, mas o sérvio acabou por abandonar o jogo com Tomas Berdych por um “incómodo no cotovelo que incomoda há ano e meio”. O sério poderá ir à mesa de operações a falhar o resto da temporada. “Vou falar com vários especialistas para ver a melhor opção“, assumiu o sérvio, que deixou o caminho livre para Tomas Berdych para regressar às meias-finais de Wimbledon, depois de ter sido finalista vencido em 2010. Para trás, logo na primeira ronda, tinha ficado o número três mundial Stan Wawrinka, que se ressentiu também de uma lesão no joelho, perdendo para o russo Daniil Medvedev (6/4, 3/6, 6/4, 6/1).

O regresso da hegemonia Fedal

Com Murray, Djokovic, Nadal e Wawrinka de fora, Federer, a atravessar uma fase excepcional – e à qual não é alheia a forma como preparou e calendarizou este torneio e a sua época desportiva – tornou-se o grande favorito. Cilic foi o rival natural, depois de fazer um torneio em alto nível. O croata, ao vencer Sam Querrey –  6/7, 6/4, 7/6 e 7/5 – garantiu pela primeira vez o acesso à final de Wimbledon. Cilic, vencedor do US Open em 2014, chegou aos quartos de final sem ceder qualquer set, vencendo aí Giles Muller e, depois, Sam Querrey.

Este domingo, acabou por ceder perante “o melhor jogador de todos os tempos”. A incerteza durou apenas os primeiros quatro jogos, até Federer tomar conta das rédeas do jogo. Cilic foi condicionado por dores que o levaram às lágrimas mas manteve-se firme em court até final. Ainda assim, sem conseguir oferecer resistência ao melhor ténis de Federer.

De resto,  Roger Federer e Rafael Nadal têm mostrado porque têm dominado o ténis e os courts nos últimos década Pela quinta vez na história, os dois tenistas venceram os três primeiros Grand Slam da época. Falta agora o US Open, e, por esta altura, o suíço e o espanhol são os grandes favoritos à vitória final. A lenda continua.


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